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A sociedade moderna vive em meio a um bombardeio de informações, idéias, produtos, inseridos em um determinado ambiente cultural. À luz dos tempos atuais, existe uma predominância do capital sobre os sistemas sócio-culturais. E por sua vez, desses últimos sobre o homem.
Tudo se torna vendável neste contexto, desde os bens essenciais à sobrevivência humana e as obras de arte, ao próprio homem. O estruturalismo de Marx ressalta essa submissão dos demais sistemas ao Capitalismo. E o ser social nasce nesse núcleo, absorvendo o que lhe é percebido como verdade. Sendo o sistema existente antes do nascimento do indivíduo, e a ele transcendente, mudar a estrutura da máquina é bastante improvável.
Em seu ensaio “A obra de arte na era reprodutibilidade técnica”, Walter Benjamim postula que os bens artísticos vêm perdendo sua essência. Neste ambiente que enaltece o valor econômico, o homem também tem seus valores essenciais dissipados, cumprindo principalmente, o mero papel de consumidor e abastecedor do mercado global.
Desde a filosofia grega, ou até mesmo anteriormente, os grandes pensadores alertam o homem, a respeito da necessidade de despertar da alienação emitida pelos poderes predominantes. Tal questão pode ser verificada, por exemplo, no Mito da Caverna narrado por Platão, parte do livro VII da República. Nos questionamentos de Sócrates, nos aforismos de Nietzche, nos postulados dos pensadores da Escola de Frankfurt, e atualmente, também nas produções cinematográficas.
Em 1999 entrou em cartaz nos cinemas o filme Matrix, com gênero de ação e ficção científica, realizado pelos irmãos Wachowski. No enredo, a raça humana foi dominada pela Inteligência Artificial. O homem é cultivado para produzir energia para as máquinas, e sua mente é introduzida em um programa de simulação virtual, a Matrix. O protagonista Neo, interpretado por Keanu Reeves, é retirado do programa e denominado O Escolhido, tendo como missão salvar a humanidade da manipulação das máquinas.
Munido de inúmeras metáforas e mensagens subliminares, o longa metragem não fora produzido somente como objeto de entretenimento, mas também como crítica sobre a realidade em que vive o homem moderno.
Um dos pontos principais tratados no filme é a indagação do que é real. Se a verdade é o perceptível, ou o que é percebido forma um conjunto de realidades ilusórias. Fazendo um paralelo com o panorama dos Meios de Comunicação, pode-se perguntar se aquilo que os espectadores vêem nos jornais, nas propagandas, o montante de informações que ele lêem é a verdade, ou uma simulação da realidade produzida segundo os interesses da parcela dominante da sociedade.
Muitas cenas do filme contêm metáforas que remetem às idéias do dualismo entre real e ilusório, do despertar para o que é realmente a verdade. Logo no início do filme, Neo retira do fundo falso do livro de Jean Baudrillard “Simulacros e Simulações”, programas virtuais para repassar aos seus “clientes”. Esse livro não foi usado por acaso, ele trata das falsas representações de realidades, idéia intrinsecamente ligada ao filme.
Quando a personagem Trinity envia a mensagem “Neo, acorde!”, para o computador do Escolhido, pode-se analisar que tal alerta não diz respeito somente ao “acordar fisicamente”, mas passa também, uma sutil idéia que Neo deveria acordar para a realidade.
Com suas ferramentas – atrofia de pensamento, homogeneização da cultura e outras – a Indústria Cultural realiza com o homem um jogo de trocas de favores. O indivíduo recebe entretenimento, realizações dos desejos, e em troca abastece a Indústria com capital. Entretanto, conforme os estudos de Adorno e Horkheim sobre a disseminação da cultura, o homem assume um papel mais manipulado por esse sistema, que voluntário. A máquina de proliferação cultural faz uso do consumidor como fonte de valor econômico, e não como apreciador de informação. Essa situação analisada pode ser comparada ao objetivo das máquinas do filme, que por sua vez, utilizam o homem como fonte de energia para seu sistema de dominação. E o ser dominado vive na ilusão de que está inserido em uma sociedade dotada de cultura, em seu mais puro sentido.
O pensador Platão em seu texto “O Mito da Caverna”, do livro “A República”, conta a história de homens que viviam presos em uma caverna, e a única coisa que viam era as sombras formadas por pessoas e animais que fora dela passavam. Se um dia um dos prisioneiros se libertasse, poderia esse ter várias reações. Primeiramente ele teria sua visão ofuscada pela luz do sol, uma vez fora da caverna. Depois perceberia que as sombras que antes via, eram meras representações do que realmente existia. Poderia ele voltar para libertar os outros prisioneiros para que pudessem também conhecer a verdade, ou poderia não fazê-lo.
Esse Mito tem grande semelhança com a idéia central do filme. Ao sair do programa, Neo se libertou da realidade ilusória que vivia. Quando o personagem Morfeu apresentou a verdade a Neo, este ficou confuso, como se a “luz” estivesse ofuscando sua visão. A eminente diferença entre as duas histórias, é que no Mito o mundo real é belo, melhor que no interior da caverna. Já no filme ocorre o inverso.
Diante da problemática existente entre o que é real e o que é ilusório, seja na literatura, no cinema, nas artes ou no cotidiano, a cultura não deixa de ser objeto de definição e estudo. O meio simbólico em que, o conjunto de indivíduos que compõem uma sociedade, e por ele é percebido e absorvido, é denominado de cultura. Esta, por fazer parte da superestrutura, é dotada dos valores que formam o sistema vigente. No caso atual, o capitalismo.

Muito linda essa música!!!
Muita gente paga páu pra essa propaganda, e eu sou um deles! xD
Devido comentário gerado sobre este texto, aproveito a oportunidade para esclarecer que este é um Blog pessoal, e não de cunho jornalístico. Logo, nele publicarei os mais variados conteúdos, como neste post que que estou publicando um texto que escrevi sobre um dos assuntos que pretendo tratar
Para firmar sua identidade, o indivíduo social sempre se encontrou no dilema de ser percebido, de marcar sua presença no ambiente em que se encontra. Na era digital, assim como Piérri Levy e muitos outros escritores teorizaram, vem à tona um fenômeno conhecido como desterritorialização das informações. Isso significa que as distâncias entre os fenômenos e o receptor da informação são dissipadas, devido às possibilidades concedidas pelas novas tecnologias.
Dentro desse panorama, o homem se vê na oportunidade de se adequar a essa nova dinâmica comunicacional, para continuar mantendo e construindo sua identidade, buscando ser percebido e aceito no novo sistema. Se antes a mass media limitava a voz do indivíduo, ou até mesmo emanava certo poder coercitivo sobre ele, hoje o ambiente on-line possibilita a concretização de uma pluralidade de vozes, causando uma integração social mais efetiva. Os papéis sociais frente à comunicação são redefinidos, o receptor deixa de ser mero expectador dos conteúdos simbólicos, para ser também produtor de informação.
Este fenômeno pode ser explicitado, depois de feita a observação da grande quantidade de home pages pessoais encontrados na rede, conhecidos como Blogs ou diários virtuais. Sejam eles para publicação de conteúdos relacionados ao cotidiano privado, ou os especializados em determinadas áreas do conhecimento e interesses comuns a determinadas tribos ou grupos.
Outro conceito que é rediscutido no âmbito dessa nova forma de promoção pessoal, é o que se refere a dialética entre o Público X Privado. Em seu livro “O QUE É VIRTUAL”, Piérri Levy argumenta sobre o Efeito Moebius, que define como a passagem do interior para o exterior, e do exterior para no interior. Neste caso, está relação se dá com o público e o privada. Antigamente os diários pessoais eram estritamente escritos para fins privados, já na era da internet, o privado acaba se tornando público, e derrubando todas as barreiras que o espaço físico poderia emitir.
Diante destas circunstâncias, o indivíduo percebe o grande alcance que pode ter sua publicização, não medindo esforços para elevar sua privacidade ao meio público. Os fins podem ser variados, desde a mera promoção estética e auto-afirmação social, à busca de interação com públicos que aspiram conteúdos de interesses afins. Entretanto, essas novas tecnologias de informações levam à uma nova forma de construir e redefinir a imagem social do indivíduo, sua identidade.

Andei visitando uns sites e encontrei umas propagandas muito interessantes, bem simples, curtas, mas um tanto quanto diferentes.
Se tratam da empresa ZUNE, que até então não era de meu conhecimento. É uma concorrente direta da APPLE que fabrica media players portáteis.
O que mais disperta atenção é a forma como os vídeos aglutinam a idéia de união/mistura (seja dos indivíduos, ou no caso, de arquivos) com o conceito de tecnologia.
Com todo o respeito ao trabalho da agência 72andsunny, resumiria a idéia das campanhas em: SERES DISTINTOS INTERAGINDO PARA FAZER O SEU ESTILO. É como se RBD e Caetano se unissem para compor seu gosto musical.
Logo abaixo vão alguns dos vídeos da ZUNE:
Nesse eu faria uma analogia dos mundos diferentes com os varios estilos musicais.
Conectividade, troca de informações, mixagem.
Novamente a idéia dos elementos distintos.

A vida é feita de momentos, e você tem o poder de deixá-los acontecer, prolongá-los, e até afastar-se deles. Mas o importante mesmo, é sempre aproveitá-los ao máximo. Interpretá-los a fim de abstrair algo para o desenvolovimento pessoal.
E nunca esqueça, por mais que fuja deles, estes são intrisicamente ligados a realidade e ao cotidiano. Sendo assim, não aproveite com moderação.
(Escrito em: 27/09/2007)
Feita minha introspecção ela consiste em bons,
e não constantes momentos, com pessoas especiais.
E a sua? De onde vem?